Desconstruindo laudos técnicos
Análise crítica de laudos oficiais, com base nas próprias fotografias e dados do material.
Quando o laudo oficial errou o lugar da colisão



O caso
- Uma camionete e um caminhão com semirreboque bateram de frente, à noite e com chuva, em rodovia rural com limite de 80 km/h. O motorista da camionete morreu.
- O laudo oficial marcou a colisão no acostamento, na faixa do caminhão, apoiado em marcas de sulcagem no asfalto.
- Nas fotos do próprio laudo, as marcas tinham terra no fundo dos sulcos: já estavam ali antes do acidente.
- Para o sítio oficial valer, a camionete teria saído do acostamento contra o sentido, e o caminhão teria se jogado sobre ela, sem desviar nem frear.
- Os discos do tacógrafo não foram analisados nem apreendidos, e as marcas de pneus na vegetação se misturavam com as de uma parada de ônibus.
Como ajudamos o cliente
O espólio da vítima nos contratou para rever o laudo oficial. Trabalhamos só com as fotografias e os dados do próprio laudo, e mostramos, ponto a ponto, por que o sítio da colisão não fechava.
As fotos do laudo mostravam duas marcas paralelas de frenagem de um rodado duplo, começando na faixa da camionete, e mais fragmentos nessa faixa. Era o ponto de impacto mais coerente.
Com os dados do laudo (massas, atritos, distâncias percorridas), a conservação de energia deu cerca de 113 km/h para o caminhão. Como a perícia oficial não analisou o tacógrafo, a conta serve como indicação, e o parecer diz isso.
Onde foi a colisão: o laudo oficial e o nosso parecer
A velocidade do caminhão, com os dados do laudo oficial
O sítio da colisão indicado no laudo oficial não está correto. O mais provável é que tenha sido na faixa da camionete, com o caminhão tendo invadido a faixa contrária, em velocidade muito acima da máxima permitida.
Neste caso, a conclusão do nosso parecer foi fundamental para reverter o caso, e foi especialmente citada pelo juiz na fundamentação da decisão.
