Perito de Trânsito ← Portfólio
Portfólio

Velocidade como fator causador

Casos em que o cálculo da velocidade decide a causa do acidente.

Caso 01Colisão transversal · vítima fatalRodovia urbana · 2021 · de dia

Na conta, 100 km/h. Nos danos, menos de 50

O caminhão espera para cruzar a via preferencial; as motos se aproximam.Imagem ilustrativa gerada por IA
A frente da moto avariada: o garfo segue reto, sem deformação.Imagem ilustrativa gerada por IA
O cruzamento visto de cima: as motos seguem juntas pela via principal.Imagem ilustrativa gerada por IA

O caso

  • Um caminhão cruzou uma rodovia urbana por uma rótula e foi atingido por duas motocicletas que seguiam na via preferencial. Um motociclista morreu.
  • A outra parte apresentou um laudo de velocidade: 100 km/h para uma moto e 72 km/h para a outra, com limite de 50 km/h na via.
  • No vídeo, as duas motos andam juntas e mantêm o mesmo espaçamento até o choque: não podiam ter velocidades tão diferentes.
  • Não houve frenagem. O garfo da moto quase não se deformou: para valer a conta da outra parte, o entre-eixos teria encurtado mais de 30%.

Como ajudamos o cliente

O laudo da outra parte media o tempo entre duas marcas da pista e dividia. Mostramos que os pontos do vídeo estavam deslocados e que a conta ignorava o que o próprio veículo registra.

Calculamos a velocidade pelos danos, com três métodos da literatura (Severy, Fricke e Irureta). Mesmo supondo um encurtamento exagerado, de 15%, a moto estaria perto de 40 km/h.

Em 2025, quando o perito do juízo manteve uma distância de 96 m para a moto, fizemos a conta inversa: 96 m em cerca de 2 s dão 173 km/h. Apresentamos parecer divergente com esse e outros pontos.

A conta de velocidade, lado a lado

Limite da via: 50 km/h Laudo da outra parte Moto 1100 km/h Moto 272 km/h Nosso parecer ≈ 40 km/h ≈ 40 km/h, mesmo supondo deformação exagerada < 50

Como o encurtamento da moto revela a velocidade

Entre-eixos (L) Quanto mais a roda recua no choque, maior a velocidade. Aqui, o garfo mal se deformou.
Conclusão do parecer

A moto vinha abaixo do limite de 50 km/h. Deu causa ao acidente a manobra do caminhão, que cruzou a via sem a devida atenção.

Caso 02Colisão em via preferencial · vítima fatalRodovia rural · ao entardecer · tempo bom

O laudo culpou a velocidade. Mesmo no limite, não havia como evitar

Conjunto de carga ingressando na rodovia, ao entardecer, vindo de estrada de terra.Imagem ilustrativa gerada por IA
O ponteiro do velocímetro travado após o impacto: não prova a velocidade.Imagem ilustrativa gerada por IA
Trecho reto e plano, com ampla visibilidade para quem entrava na rodovia.Imagem ilustrativa gerada por IA

O caso

  • Um SUV que seguia pela rodovia colidiu com um conjunto de carga que ingressava na pista, vindo de uma estrada de terra, ao entardecer. O motorista do SUV morreu.
  • O laudo oficial concluiu que o acidente foi causado por excesso de velocidade e falta de reação do motorista do SUV. A velocidade vinha do ponteiro do velocímetro, travado após o impacto.
  • Faltavam marcas de frenagem. O laudo leu isso como falta de reação, sem analisar se havia tempo e espaço para reagir.
  • As faixas refletivas do conjunto estavam perfeitamente limpas, enquanto o resto do veículo estava coberto de poeira: sinal de limpeza recente, antes ou depois do acidente.

Como ajudamos o cliente

Mostramos que o ponteiro de um velocímetro amassado não é método: a velocidade se calcula com a conservação de energia ou de movimento, como se faz em perícia de trânsito.

Depois, trocamos a pergunta. Em vez de “quão rápido ele ia?”, perguntamos: a que distância ele estava quando podia ver o perigo? Pelo ponto de não escapada, o SUV precisaria de 80 m para parar a 80 km/h, ou 112 m a 100 km/h.

Sem marcas de frenagem, o SUV estava a no máximo 45 a 55 m do ponto da colisão, bem abaixo disso. Mesmo no limite da via, o acidente era fisicamente inevitável para ele. Já o motorista do conjunto, com visão livre, devia ter parado e esperado.

A distância que o SUV tinha, contra a que precisava

Distância necessária para parar Se o limite fosse 80 km/h80 m Se o limite fosse 100 km/h112 m Distância real do SUV até o ponto da colisão no máximo, 45 a 55 m
Conclusão do parecer

Deu causa ao evento a imprudência do condutor do conjunto de carga, ao ingressar na via preferencial sem parar e sem se certificar de que podia fazê-lo com segurança.

Seu caso também gira em torno de uma velocidade?

Conte o que aconteceu. Dizemos se há potencial técnico antes de qualquer orçamento.

Falar com o perito